Role models – Salgueiro Maia

Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegamos.

— Salgueiro Maia

Admiro as pessoas que desempenham o seu papel – com coragem, como foi o caso, – e sabem retirar-se no momento certo. Personagens bem sucedidas, à sua maneira, creio que semelhantes às que Larry descreveu no seu livro (ou como o convencional d’Os Miseráveis; esse era fictício, mas suponho que tenham existido modelos plausíveis). Contrastam com outros capitães de Abril, mas neste momento, na minha mente, ainda mais com todos os líderes africanos e do Médio Oriente que disparam sobre os seus povos. É extraordinária a falta de empatia e de humildade para aceitar o inevitável. Compreendo que temam pelos filhos, mas os netos, bisnetos ou demais sucessores não vão ter força para segurar o poder. Lembra também a interrogação de Adriano, nas memórias de Yourcenar: Se desprezasse o meu povo, para que havia de querer governá-lo?

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Living to see it

ISAAC: They’re talking about bioengineering animals and terraforming Mars. When I started reporting Gemini missions just watching a Titan rocket lift off was a sight to see. Now they’re gonna colonise the solar system.

DANA: Are you obsessing about this?

ISAAC: Yes.

DANA: Why?

ISAAC: Because I won’t be alive to see it.

— in Sports Night

Lembrei-me deste diálogo ao ler uma notícia sobre fatos espaciais que estão a ser testados na Antártida, para os astronautas que irão a Marte.

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Trovão

A thing is about to happen which has not happened since the Elder Days: the Ents are going to wake up and find that they are strong.

— J.R.R Tolkien, in The Lord of the Rings: Two Towers

Ainda ninguém sabe como vai acabar, mas o que está a acontecer no Médio Oriente é notável.

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O Sonho do Celta

Este livro traz memórias de muitos outros. A primeira parte, em África, faz lembrar o Coração das Trevas (nada de surpreendente, já que foi a vida do Roger Casement que inspirou essa obra). A Amazónia evoca os escritores sul americanos, mais pelo ambiente que pelos personagens ou pelo enredo. A revolta desesperada na Irlanda imita as barricadas de Paris dos Miseráveis. E a prisão é o Estrangeiro, de Camus, ou A Condição Humana de Malraux. A mesma serenidade, a mesma resignação… Gostava de ler textos reais escritos por condenados nos seus últimos dias, para comparar.

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Nacionalismo

Um aspecto perfeitamente natural na vida de Roger Casement, mas que me pareceu curioso: observou e denunciou todo o tipo de atrocidades no Congo e na Amazónia, mas foi na Irlanda, onde o colonialismo era muito mais suave, que resolveu agir, fomentando a revolta armada. Pode-se explicar em parte por razões culturais e logísticas; seria difícil a um europeu sem recursos criar um exército em África ou na América do Sul, entre tribos com quem não partilhava uma História e com quem seria difícil comunicar. Mas o mais relevante foram mesmo os laços nacionais, se a leitura que Vargas Llosa fez da vida do celta foi correcta.

(Esta última frase explica algumas reticências que esta biografia romanceada me deixou; se é uma biografia, que se apresentem as fontes, contraditórias ou não, para que o leitor decida.)

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The Ghost of Roger Casement

I say that Roger Casement
Did what he had to do.
He died upon the gallows,
But that is nothing new.

Afraid they might be beaten
Before the bench of Time,
They turned a trick by forgery
And blackened his good name.

A perjurer stood ready
To prove their forgery true;
They gave it out to all the world,
And that is something new;

For Spring Rice had to whisper it,
Being their Ambassador,
And then the speakers got it
And writers by the score.

Come Tom and Dick, come all the troop
That cried it far and wide,
Come from the forger and his desk,
Desert the perjurer’s side;

Come speak your bit in public
That some amends be made
To this most gallant gentleman
That is in quicklime laid.

— William Butler Yeats

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Isto também é Europa

«Isto também é Europa», pensou muitas vezes Roger Casement naquele 10 de Dezembro. «E não só os colonos, polícias e criminosos que mandámos para África. A Europa também é este espírito cristalino e exemplar: Edmund. D. Morel.»

— Mario Vargas Llosa, in O sonho do Celta

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Malícia bíblica

Depois da história de Abraão e Isaac, que já conhecia, também encontrei algum humor no relato das pragas do Egipto. Conhecia esse episódio sumariamente, mas não sabia que tinha sido Deus a endurecer o coração do Faraó, várias vezes, para ele negar a partida aos filhos de Israel e fazer cair a ira divina sobre o seu reino. Ostensivamente, para mostrar o poder do Senhor. Não haveria outra maneira de o fazer? Fez-me lembrar as teorias de Thomas Mann sobre o livre arbítrio e o paradoxo do criador. A conduta do Faraó só pode inspirar pena, mas a de Deus, do pouco que ainda li, é demasiado humana.

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Magia bíblica

Estava a começar a pensar na Bíblia como os Lusíadas do povo judeu, e esta frase reforçou essa ideia: “For they [the Egyptian sorcerors] cast down every man his rod, and they became serpents”; também nos Lusíadas existiam poderes sobrenaturais exteriores a Deus, mas os heróis eram monoteístas e ignoravam a mitologia grega.

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Humor bíblico

Quando Abraão ia sacrificar o seu filho Isaac, por ordem de Deus:

And Isaac spake unto Abraham his father, and said, My father:
and he said, Here am I, my son. And he said, Behold the fire
and the wood: but where is the lamb for a burnt offering?

And Abraham said, My son, God will provide himself a lamb for
a burnt offering: so they went both of them together.

— in The Bible (King James version)

(Claro que esta é uma daquelas situações em que o humor está mais em mim do que no material.)

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