April 2006

Goodbye

‘The pony’s at the door,’ said my aunt, ‘and I am off! Stay here.’ With these words she embraced me hastily, and went out of the room, shutting the door after her. At first I was startled by so abrupt a departure, and almost feared I had displeased her; but when I looked into the street, and saw how dejectedly she got into the chaise, and drove away without looking up, I understood her better and did not do her that injustice.

– Charles Dickens, in David Copperfield


Quando tenho de dizer adeus
Levo os meus olhos chorando
Pelos que choram p’los meus

— António Aleixo

Emoções

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Compreensão humana

Je ne méprise pas les hommes. Si je le faisais, je n’aurais aucun droit, ni aucune raison, d’essayer de les gouverner. Je les sais vains, ignorants, avides, inquiets, capables de presque tout pour réussir, pour se faire valoir, même à leurs propres yeux, ou tout simplement pour éviter de souffrir.

— Marguerite Yourcenar, in Mémoires d’Hadrien

Swordsmanship is a method of murder, do you hear me? You can decorate it with all sorts of pretty words, but that is what it is. Kill some people in order to protect others. Murder some to save all. That is the final principle of all sword techniques. As you know, I have murdered hundreds of evil men, but they were all human beings. They were merely trying to live their lives the only way they knew how.

— Seijuro Hiko, Trust and Betrayal (Kenshin OAV)

Política

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Classicismo

Gosto muito dos clássicos, por terem resistido ao teste do tempo. Quando ouço o Danúbio Azul, de Strauss, compreendo facilmente que se tenha tornado uma peça famosa e aclamada; as passagens delicadas, os crescendos, as explosões festivas… obras como esta são de uma beleza arrebatadora.

Arte

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How stuff works

O site “How Stuff Works” é uma delícia para os curiosos. Das chaves às armas nucleares, dos motores aos ecrãs, passando pelas ciências da vida, pela psicologia e por tudo o mais que não escape à idade dos porquês, é uma autêntica celebração do espírito inquiridor (“odeio o espírito do Iluminismo”, diria Diotallevi). Uma das poucas actividades me dão mais prazer do que esta descoberta de coisas novas é encontrar ligações entre elas.

“Dá-lhe gozo?”
“Se me dá gozo? Penso que é a única coisa que posso fazer bem.”

— Umberto Eco, in O Pêndulo de Foucault

Razão

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Perder países

Um dos meus passatempos preferidos é sonhar com viagens. Há quem prefira viajar sem expectativas, vagueando ao acaso por onde os caminhos levarem; seria o ideal, também para mim, se o tempo fosse infinito, mas como não é, prefiro planear. Às vezes exagero, como em Chicago. Parecia que já lá tinha estado antes, sabia os nomes das ruas, que autocarros apanhar, os restaurantes onde queria comer. Em São Francisco, sem planos, limitei-me a passear pela cidade. Resultado: São Francisco é uma cidade linda, com os montes verdejantes, a baía azul e as ruas movimentadas; Chicago foi a minha cidade preferida, de todas as que visitei. Apesar de ser uma metrópole enorme, senti-me como numa comunidade familiar. Os arranha-céus são imponentes, mas é só andar cinco minutos e estamos num parque espaçoso e agradável, à beira do Lago Michigan. As pessoas com quem contactei foram amáveis, e respirava-se em todo o lado um ar de confiança, dinamismo e bom humor. Dos museus ao pavilhão dos Bulls, da torre Sears aos canais da cidade, foram três dias de sonho.

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

— Fernando Pessoa

Livre

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The most conclusive reason not to write

Estou a ficar sem assunto para escrever. Não sei se os tempos são desinteressantes ou demasiado interessantes. Milan Kundera dizia que na França, onde nada acontece, há muito mais escritores do que em Israel, e desenvolvia o assunto com sonhos de avestruzes e desprezo pelo autor que só falava de si e da sua importante infância. A imagem das avestruzes era genial, usando um artifício que aprecio em Kundera; cria uma cena estranha, mas que se aguentaria perfeitamente por si só, e expande-a mais tarde, deslumbrando o leitor. Tamina sonhava com avestruzes, que corriam ao seu encontro, como que para comunicar; ela não sabia o que elas tinham para dizer, mas Milan Kundera sim, sabia (“via-se na sua cara”): vinham para lhe contar tudo sobre si mesmas, e o que tinham visto e vivido. Não queriam saber dela para nada.

Meta

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Cute bow ties

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Humor

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Beckett em Paris

O governo francês, como se esperava, enterrou o Contrato de Primeiro Emprego. Sempre assim foi: quando a rua grita, o Eliseu treme. E Chirac, coitado, nunca se notabilizou pela coragem ou pela lucidez política. Paz à sua alma. E paz à alma da França: com desemprego nos 10% (e o dobro entre os menores de 26 anos, que a lei pretendia empregar), não lhe antevejo grande futuro.

O problema é que a rua não concorda. A rua e grande parte dos estudantes que marcharam nas últimas semanas por Paris, exigindo mais protecção, mais Estado, e mais protecção do Estado. O que diria Samuel Beckett de tudo isto?

A pergunta não é absurda: centenário a semana passada, a 13 de abril, Samuel Beckett (1906 – 1989) viveu em Paris grande parte da vida e, juntamente com Kafka, foi o segundo escritor do século porque, precisamente, captou a alma do século. Kafka conseguiu pressentir a ameaça do horror absoluto – uma sombra invisível de fechamento espiritual e moral que não chegou a sentir na pele. Beckett, sim: ele escreveu sobre as ruínas porque sobreviveu a elas. Leio no jornalismo cultural mais preguiçoso que a literatura de Beckett é uma “literatura de fracasso”. Talvez seja. Mas este cliché, como todos os clichés, transporta uma simplificação grosseira: o célebre “fracasso” de Beckett nasce diretamente da vontade humana de não desistir. De tentar novamente, falhar novamente, falhar melhor. Se a mortalidade é a nossa única certeza, cabe aos seres humanos continuar: um gesto prometaico que, à semelhança do Sísifo de Camus, continua a rolar a pedra pela recusa do suicídio, ou seja, pela recusa da saída mais simples. Mesmo Malone, às portas da morte, entende a imperiosa necessidade de continuar.

Os estudantes de Paris, que obviamente nunca leram um dos mais importantes escritores da cidade, são a radical negação de tudo isto. Eles não querem continuar num mundo hostil que exige acção possível, ou seja, risco possível, aceitando um trabalho precário durante dois anos. Sobretudo quando trabalho definitivo é um luxo numa economia em crise. Eles querem o retorno imaginário a um passado imaginário, feito de segurança pessoal, laboral, física e até existencial. São jovens de 24 ou 25 mas, mentalmente, inversamente, estão na casa dos 42 ou dos 52. Ou dos 62. Ou dos 72. O horror ao risco é o traço que os une e nesse horror está um horror à vida: à natureza frágil e incerta da existência humana. De uma existência que, desde o berço, está condenada a prazo.

Nas ruas de Paris, não esteve apenas uma lei trabalhista em discussão. Esteve toda uma filosofia de vida. Pessoas existem que, apesar da violência do mundo, não prescindem da liberdade, da angústia da liberdade, e avançam. Porque, sem um mínimo de risco, os seres humanos são, como diria o poeta, cadáveres adiados. Os meninos de Paris discordam. Eles querem segurança total porque acreditam que a vida deve ser vivida numa jaula, ou num caixão. Eles desejam segurança total mas nesse desejo está, simplesmente, um desejo de morte.

— João Pereira Coutinho

O desejo de segurança, a fuga ao medo, são importantes factores de motivação pessoal e de classe. Naphta censurava os liberais pela sua cobardia face ao caos do mundo, mas agora os liberais fazem o mesmo em relação à esquerda dos direitos adquiridos. É cómico. “E, contudo, era interessante ver de que modo o homem pode usar as palavras e pô-las ao serviço do seu pensamento”. O que é certo e errado? Não tenho conhecimento suficiente da Lei, da Economia ou da sociedade francesa, mas parece-me que pelo menos se devem aceitar todas as consequências das nossas posições. Segundo a lógica, e a opinião de alguns economistas, ser contra esta lei é apoiar objectivamente o aumento do desemprego, ou a sua manutenção em níveis elevados. Se isto é um preço razoável a pagar, por evitar a degradação dos direitos dos trabalhadores, é uma questão pertinente, mas deve-se discuti-la com honestidade, sem o habitual maniqueísmo que separa os bons e os maus.

Ética

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Do alto destas pirâmides…

Paris
Paris, 2004

Adoro imaginar a História que passou pelo lugares que visito, e Paris é um local privilegiado, com as barricadas, os mosqueteiros, a cultura…

Emoções

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Invalide

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Paris, 2004

 


Si César m’avait donné
La gloire et la guerre,
Et qu’il me fallût quitter
L’amour de ma mère
Je dirais au grand César:
Reprends ton sceptre et ton char,
J’aime mieux ma mère, ô gué!
J’aime mieux ma mère.

L’accent tendre et farouche dont Combeferre le chantait donnait à ce couplet une sorte de grandeur étrange. Marius, pensif et l’oeil au plafond, répéta presque machinalement: Ma mère?…

En ce moment, il sentit sur son épaule la main d’Enjolras.

– Citoyen, lui dit Enjolras, ma mère, c’est la République.

— Victor Hugo, in Les Miserables

Política

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