June 2006

A quadratura do círculo

Squaring the circle is the problem proposed by ancient geometers of using a finite compass and straightedge construction to make a square with the same area as a given circle. In 1882, the problem was proven to be impossible.

— in Wikipedia

Às vezes, Paravant pensava estar na iminência de uma revelação. Era visto frequentemente, a altas horas da noite, na sala de jantar, vazia e mal iluminada, sentado à sua mesa sobre cuja superfície dispunha cuidadosamente em forma de círculo um pedaço de fio, o qual, bruscamente, como que para surpreendê-lo, esticava numa linha recta.

— Thomas Mann, in Montanha Mágica

Além de escrever com arte, Thomas Mann sabia muito. “A Montanha Mágica é uma enciclopédia romanesca da Vida, em que há páginas inesquecíveis de beleza e insólita originalidade. Um monumento de arte, cuja grandeza transcende todas as normas da criação literária”. Não é exagero.

Razão

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What I will do and what I will not do

“Look here, Cranly,” he said. “You have asked me what I would do and what I would not do. I will tell you what I will do and what I will not do. I will not serve that in which I no longer believe whether it call itself my home, my fatherland or my church: and I will try to express myself in some mode of life or art as freely as I can and as wholly as I can, using for my defence the only arms I allow myself to use – silence, exile, and cunning.”

— James Joyce, in A Portrait of the Artist as a Young Man

Livre

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Norman Rockwell

Este pintor é considerado kitsch por muitos críticos, mas talvez por isso seja um bom ilustrador dos Estados Unidos da América, e mesmo do mundo moderno. Gosto deste auto-retrato triplo; de costas, ao espelho e na tela.

rockwell_self.jpg

— Norman Rockwell, Triple Self-Portrait

Meta

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Germânicas

Whenever the literary German dives into a sentence, that is the last you are going to see of him till he emerges on the other side of his Atlantic with his verb in his mouth.

— Mark Twain

Indeed.

Humor

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Gratidão

O senhor prejudica o nosso anfitrião, mostrando tanto espírito, e dessa forma demonstra a sua falta de gratidão perante estes doces invulgares. Será que o senhor tem queda para a gratidão? Dizendo isto, admito que a gratidão consiste em não fazermos mau uso dos presentes que recebemos…

— Thomas Mann, in Montanha Mágica

Gosto desta definição de gratidão; concentra-se exclusivamente em quem recebe o presente, sem se preocupar com qualquer eventual retribuição. Assim a gratidão é pura.

Ética

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Deitado na realidade

Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

— Alberto Caeiro

Emoções

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Individualismo

O seu individualismo é um compromisso, uma concessão. Corrige a sua ética pagã por meio de um pouco de Cristianismo, um pouco de direito do indivíduo, e um pouco de pretensa liberdade. É tudo. Um individualismo, porém que parte da importância cósmica, da importância astrológica da alma individual, um individualismo não social, mas religioso, que concebe a Humanidade não como o antagonismo entre o Eu e a Sociedade, mas como o conflito entre o Eu e Deus, entre a Carne e o Espírito – tal individualismo harmoniza-se muito bem com a comunidade mais intensamente coercitiva.

– É anónimo e colectivo – disse Hans Castorp.

— Thomas Mann, in Montanha Mágica

Política

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Germânicas

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— Max Liebermann

Arte

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Germânicas

Brigitte saiu da aula de alemão firmemente decidida a não mais lá voltar. (…) Essa língua irritava-a pela sua falta de lógica. (…) Brigitte fizera-o notar ao professor, um jovem alemão a quem a objecção embaraçara e que se sentira imediatamente culpado. Esse homem simpático e subtil sofria por pertencer a um povo que fora governado por Hitler. Disposto a acusar a sua pátria de todas as taras, admitiu imediatamente que nenhuma razão válida justificava duas declinações diferentes para as preposições mit e ohne.

«Sinto-me satisfeita por você o reconhecer. Não é lógico. Ora uma língua deve ser lógica», disse Brigitte. (…) «Uma criança pode aprender uma língua ilógica, porque uma criança não é dotada de razão. Mas um estrangeiro adulto nunca a conseguirá aprender. É por isso que, na minha opinião, o alemão não é uma língua de comunicação universal.

– «Tem toda a razão», disse o alemão, e acrescentou a meia voz: «Bem vê como era absurda a vontade alemã de dominar o mundo.»

— Milan Kundera, in Imortalidade

O professor justificava a falta de lógica dizendo que era um uso que se estabeleceu ao longo dos séculos. Outros revoltam-se contra esta lei natural, mas vencer a História não é para qualquer um.

Alguns hóspedes do Berghof estudavam esperanto e compraziam-se em conversar à mesa nessa geringonça artificial. Hans Castorp observava-os com um ar sombrio, se bem que julgasse de si para si que estes não eram os piores.

— Thomas Mann, in Montanha Mágica

Razão

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“Aquele que é feliz, espalha felicidade”

Athos, comme toutes les nobles natures, ne rendait pas à autrui les impressions fâcheuses qu’il ressentait ; mais, au contraire il les absorbait toujours en lui-même et renvoyait en leur place des espérances et des consolations. On eût dit que ses douleurs personnelles sortaient de son âme transformées en joies pour les autres.

— Alexandre Dumas, in Vingts Ans Aprés

Livre

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