July 2006

Honest answer

The U.S. is struggling to handle its relations with volatile, unpredictable North Korea. What do you think?

Matt Christian
Computer sales
“I’m not really the one to ask, as I have very little experience in diplomacy with hard-line communist nations.”

— in The Onion

Livre

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Identidade nacional

O PNR, Partido Nacional Renovador, tem aparecido frequentemente nas notícias – pelos piores motivos, como lhe compete – e tive curiosidade de saber mais sobre os seus princípios. Li um texto intitulado “Um dia negro para Portugal” (o sentido de humor é sempre de saudar), que critica a nova lei da nacionalidade e considera que Portugal passará “a ser mais africano, sul-americano e asiático”. A frase que mais me interessou foi esta: “A nacionalidade funda-se na hereditariedade, jamais na temporalidade do mero nascimento.” A identidade nacional não me interessa como um fim em si – de resto, não consigo conceber um objectivo que seja um fim em si, se não for a morte; poderia procurar a felicidade do Homem, mas ela é antes uma consequência natural da vida, e não um alvo que se atinja deliberadamente, – não me interessa a identidade nacional, dizia, e no entanto acredito que o fio invisível que une uma família, uma comunidade, uma nação, seja uma força essencial para que estes não degenerem, embora seja excessivamente redutor ligar toda a História exclusivamente à hereditariedade. Os extremistas não laboram no erro, mas agarram-se fanaticamente a uma fracção diminuta da verdade.

Meta

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Big deal

[after Planet X explodes]
Duck Dodgers: (to Marvin the Martian) Like I said before, this planet ain’t big enough for the two of us so off you go!
duckdodgers.jpg
Duck Dodgers: And now this planet is hereby claimed for the Earth in the name of DUCK DODGERS IN THE 24 1/2TH CENTURY!
Porky Pig: B-b-b-b-big deal.

— in Duck Dodgers in the 24 1/2th Century

Humor

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The penitent man will pass

Une voix lui disait-elle à l’oreille qu’il venait de traverser l’heure solennelle de sa destinée, qu’il n’y avait plus de milieu pour lui, que si désormais il n’était pas le meilleur des hommes il en serait le pire, qu’il fallait pour ainsi dire que maintenant il montât plus haut que l’évêque ou retombât plus bas que le galérien, que s’il voulait devenir bon il fallait qu’il devînt ange; que s’il voulait rester méchant il fallait qu’il devînt monstre?

— Victor Hugo, in Les Miserables

Ou, em bom português: junta-te aos bons, serás como eles; junta-te aos maus, serás pior do que eles.

Ética

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Babouches d’or

Et je passai devant mon savetier à la jambe unique occupé d’embellir de filigranes d’or ses babouches et je compris bien, malgré qu’il n’eût plus de voix, qu’il chantait:

«Qu’y a-t-il, savetier, qui te rend si joyeux?»

Mais je n’écoutait point la réponse, sachant qu’il se tromperait et me parlerait de l’argent gagné ou du repas qui l’attendait ou du repos. Ne sachant point que son bonheur était de se transfigurer en babouches d’or.

— Antoine de Saint-Exupéry, in Citadelle

Emoções

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Babel

« Si tu veux qu’ils sont frères, oblige-les de bâtir une tour. Mais si tu veux qu’ils se haissent, jette-leur du grain.»

— Antoine de Saint-Exupéry, in Citadelle

Política

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Celui que trouve le dieu le trouve pour tous

Créer, c’est manquer peut-être ce pas dans la danse. C’est donner de travers ce coup de ciseau dans la pierre. Peu importe le destin du geste. Cet effort t’apparaît stérile à toi, aveugle, qui te tiens le nez contre, mais recule-toi. Considère de plus loin le mouvement de ce quartier de ville. Il n’est plus là qu’une grande ferveur et qu’une poussière dorée du travail. Et les gestes manqués tu ne les remarques plus. Car ce peuple penché sur l’ouvrage, bon gré mal gré, édifie ses palais ou ses citernes ou ses grands jardins suspendus. Ses oeuvres naissent comme nécessairement de l’enchantement de ses doigts. Et je le dis, elles naissent autant de ceux-là qui manquent leurs gestes que de ceux-là qui les réussissent, car tu ne peux partager l’homme, et si tu sauves seuls les grands sculpteurs, tu sera privé de grands sculpteurs. Qui serait assez fou, pour choisir un métier qui donne si peu de chances de vivre? Le grand sculpteur naît du terreau de mauvais sculpteurs. Ils lui servent d’escalier et l’élèvent. Et la belle danse naît de la ferveur à danser. Et la ferveur à danser exige que tous dansent – même ceux-là qui dansent mal – sinon il n’est point de ferveur mais académie pétrifiée et spectacle sans signification.

— Antoine de Saint-Exupéry, in Citadelle

Arte

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Uma bandeira no deserto

Franz Kafka consegue mergulhar o leitor num mar de loucura e desespero, pela falta de sentido de tudo, mas emerge a espaços uma lucidez ainda mais inquietante.

K. teve então a impressão de que tinham cortado todas as ligações com ele, que estava agora mais livre do que anteriormente, que podia agora esperar no lugar proibido o tempo que quisesse e que conquistara essa liberdade lutando de uma forma única e que ninguém poderia agora tocar-lhe ou expulsá-lo ou sequer dirigir-lhe a palavra, mas – e esta convicção tinha pelo menos uma força igual – sentia ao mesmo tempo que não havia nada mais sem sentido, mais desesperado do que esta liberdade, esta espera, esta invulnerabilidade.

— Franz Kafka, in O Castelo

Razão

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Tenho sede dessa água

Je condamne l’inquétude qui pousse les voleurs au crime, ayant appris à lire en eux et sachant ne point les sauver si je les sauve de leur misère. Car s’ils croient convoiter l’or d’autrui ils se trompent. Mais l’or brille comme une étoile. Cet amour qui s’ignore soi-même ne s’adresse qu’à une lumière qu’ils ne captureront jamais. Ils vont de reflet en reflet, dérobant des biens inutiles, comme le fou qui pour se saisir de la lune qui s’y reflète puiserait l’eau noire des fontaines.

— Antoine de Saint-Exupéry, in Citadelle

Comecei a ler a Citadelle, de Saint-Exupéry. Foi publicado postumamente, e a versão que tenho não é integral, porque o livro é enorme e ainda ia ser editado pelo autor. Vou no terceiro capítulo (são 219), mas já percebi que tinha de haver qualquer coisa de especial na cabeça do homem que escreveu O Principezinho. Não é só que as reflexões sejam interessantes, ou que haja ideias que me fazem sorrir, e perspectivas totalmente novas para mim, embora tudo isso seja verdade. Como dizê-lo? Imitando Fernando Pessoa, “fera para a beleza disto, para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos”.

Livre

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A razão mais conclusiva para escrever

«Je suis lourd de une musique qui jamais plus ne sera comprise.»

— Antoine de Saint-Exupéry

Michel Quesnay, na introdução de Citadelle, acrescenta: “Il a le sentiment de n’avoir, en définitive, de vocation plus importante que de faire entendre cette musique”.

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