O PNR, Partido Nacional Renovador, tem aparecido frequentemente nas notícias – pelos piores motivos, como lhe compete – e tive curiosidade de saber mais sobre os seus princípios. Li um texto intitulado “Um dia negro para Portugal” (o sentido de humor é sempre de saudar), que critica a nova lei da nacionalidade e considera que Portugal passará “a ser mais africano, sul-americano e asiático”. A frase que mais me interessou foi esta: “A nacionalidade funda-se na hereditariedade, jamais na temporalidade do mero nascimento.” A identidade nacional não me interessa como um fim em si – de resto, não consigo conceber um objectivo que seja um fim em si, se não for a morte; poderia procurar a felicidade do Homem, mas ela é antes uma consequência natural da vida, e não um alvo que se atinja deliberadamente, – não me interessa a identidade nacional, dizia, e no entanto acredito que o fio invisível que une uma família, uma comunidade, uma nação, seja uma força essencial para que estes não degenerem, embora seja excessivamente redutor ligar toda a História exclusivamente à hereditariedade. Os extremistas não laboram no erro, mas agarram-se fanaticamente a uma fracção diminuta da verdade.