April 2007

Survival of the smartest

Logo no início da Origem das Espécies, Darwin comentou a ideia de Malthus sobre o crescimento geométrico das populações. Segundo o economista, os recursos não crescem a uma taxa que permita a sobrevivência de todos os indivíduos, suscitando a pergunta crucial de Darwin: quem sobrevive?

O trabalho árduo é importante, ou até essencial – Darwin provou-o – mas o que os ingleses designam por insight é genial e é mágico.

Razão

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Survival of the happiest

All that we can do, is to keep steadily in mind that each organic being is striving to increase at a geometrical ratio; that each at some period of its life, during some season of the year, during each generation or at intervals, has to struggle for life, and to suffer great destruction. When we reflect on this struggle, we may console ourselves with the full belief, that the war of nature is not incessant, that no fear is felt, that death is generally prompt, and that the vigorous, the healthy, and the happy survive and multiply.

— Charles Darwin, in The Origin of Species

Achei curioso que Darwin considerasse a felicidade um factor de aptidão. Já tinha pensado em ideias semelhantes ao tentar perceber o que são a arte e a beleza, e sobretudo ao estender esta análise a todos os seres vivos. Um cão é feliz se contemplar uma paisagem ampla e luminosa? Uma planta cresce com mais ou menos entusiasmo? Podemos conceber a alegria de uma bactéria? A vida é mais do que química, na medida em que é construída num nível superior (para evitar qualquer alusão ao sobrenatural, digo isto como diria que assistir a um filme na televisão é mais do que ver electrões a atingirem um ecrã revestido com fósforo). Quando era mais novo e reflectia sobre religião, imaginava que mesmo se Deus não existisse, Ele seria uma entidade viva, tornada real pela força da crença; como um desenho que tomasse forma pelo preenchimento do espaço à sua volta. O mesmo se passa com a felicidade: procurá-la é tarefa ingrata, mas cuide-se do que está em redor e ela emerge sem esforço.

Livre

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We went on a trip, my family and me

[ Talvez gostasse de dizer que escrevi isto na minha juventude, mas foi em Junho de 2005 ]

The house where we stayed was in Leiden, it’s true. See the white of the clouds and the sky painted blue.

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In Antwerp we eat, we walk and we fry. The roads are a mess, street signs gone awry.

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The buildings were old, and gorgeous but dude!, the waiters were petty, obnoxious and rude.

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In Brugge we did sleep, in a cozy abode, then went into town, which is pretty and old.

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By then I was tired, for the trip was exhausting; I slept for a while, my head heavy and falling.

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A balloon in the sky, and the nose of my brother; sleeplessness is futile, why even bother?

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I drove a boat, I had fun. I saw a light, but it was only the Sun.

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The canals were a challenge, for us to go through. I wonder what Brian Boitano would do.

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Holland is famous for its dozens of mills; here are five in a row, now they’re nothing but frills.

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Fun as it was, it had to come to an end, as work is still needed, to have money to spend.

Meta

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What would Brian Boitano do?

What would Brian Boitano do
If he was here right now,
He’d make a plan
And he’d follow through,
That’s what Brian Boitano’d do.

When Brian Boitano was in the olympics,
Skating for the gold,
He did two Salchows and a triple lutz,
While wearing a blind fold.

When Brian Boitano was in the alps,
Fighting grizzly bears,
He used his magical fire breath,
And saved the maidens fair.

So what would Brian Boitano do
If he were here today,
I’m sure he’d kick an ass or two,
That’s what Brian Boitano’d do.

( I want this V-chip out of me,
It has stunted my vo-ca-bu-lar-y. )

( And I just want my mom
To stop fighting everyone )

( For Wendy I’ll be an activist too,
Cause that’s what Brian Boitano’d do. )

And what would Brian Boitano do,
He’d call all the kids in town,
And tell them to unite for truth
That’s what Brian Boitano’d do.

When Brian Boitano travelled through time
To the year 3010,
He fought the evil robot kings
and saved the human race again

And when Brian Boitano built the pyramids,
He beat up Kublai Kahn.

Cause Brian Boitano doesn’t take shit from an-y-body

So let’s all get together,
And unite to stop our moms
And we’ll save Terrance and Phillip too,
Cause that’s what Brian Boitano’d do.

And we’ll save Terrance and Phillip too,
Cause that’s what Brian Boitano’d dooooo,
That’s what Brian Boitano’d do.

— in South Park: Bigger, Longer, Uncut

Humor

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O grão de areia na engrenagem

Quando se vê alguém tremer de frio, não há quem pergunte se está com Parkinson. Raramente se ouvem referências depreciativas em relação à doença de Alzheimer, excepto por brincadeira. Na esfera pública de que me apercebo, e nos espaços que frequento, epítetos como esquizofrénico, psicótico ou demente são geralmente reservados para polémicas rasteiras ou para quem tem comportamentos extremos que se tornam perturbadores. É extraordinário como a situação é diferente quando se trata de autismo. Não há político que não acuse os adversários de sofrerem desta doença, e parece estar na moda chamar autista a quem tem opiniões contrárias. Pode ser uma erupção inócua do politicamente incorrecto, mas não deixa de ser surpreendente. A civilidade é um verniz frágil que oculta monstros; quando estala, todas as barbaridades são toleradas, ou até encorajadas, e revelam-se os verdadeiros sentimentos dos que se queriam mostrar justos e nobres.

(O antídoto? A bondade sincera, que não flutua com as circunstâncias; o “amor abnegado” que reclamava Anne Frank.)

Ética

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Primavera

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— Keukenhof, Holanda (2005)

Emoções

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O estado de espírito geral

O estado de espírito geral extensivo a Hans Castorp, não lhe permitia rir-se dessa metralha de bofetadas oficiais, como teria feito sem dúvida em outros tempos. Estremeceu ao ler o relatório, e o pundonor inatacável de uma das partes e a desonra vil, desprezível, da outra, que os documentos patenteavam aos olhos do leitor, emocionaram-no intensamente pelo contraste pouco vivo e todavia impressionante. O mesmo acontecia a toda a gente. Em toda a parte, eram vistas pessoas que estudavam apaixonadamente e comentavam com os dentes a rilhar a querela de honra dos polacos.

(…)

A zombaria alegre que ele mesmo, devido à mentalidade que reinava no Berghof, era incapaz de forjar – esperara-a ao menos da parte do sr. Settembrini. Mas aquela epidemia que Hans Castorp via grassar à sua volta, contagiara também o espírito claro do pedreiro-livre com uma força que lhe tirava a vontade de rir e o tornava fácilmente acessível à fascinação provocante da história das bofetadas.

— Thomas Mann, in Montanha Mágica

O antídoto (re)descobriu-o Belbo, antes do fim:

Até àquele momento Belbo tremera. Vi-o distender-se, já não digo acalmar-se, mas olhar a plateia com curiosidade. Creio que nesse instante, perante a divergência entre os dois adversários, vendo à sua frente os corpos desarticulados dos médiuns, aos seus lados os derviches que ainda estremeciam gemendo, os paramentos dos dignitários descompostos, ele readquirira o seu dom mais autêntico, o sentido do ridículo.

(…)

E Belbo disse, agora invencível: “Ma gavte la nata…”

— Umberto Eco, in O Pêndulo de Foucault

Política

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Mínimo

Il semble que la perfection soit atteinte non quand il n’y a plus rien à ajouter, mais quand il n’y a plus rien à retrancher.

— Antoine de Saint-Exupéry, in Terre des hommes

Arte

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Spin

Percentage of memory B cells increases in a non-statistically significant fashion with age in Group II (r = 0.203 and P = 0.2).

— Jimmy Ko, et al, in Clinical Immunology

Beautiful stuff. An instant classic.

Razão

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La Palisse não diria mesmo melhor

Hoje descobri que as verdades de la Palisse não tiveram origem em nada que o senhor Jacques de la Palisse tenha dito. Após a sua morte, os soldados que o serviam cunharam o verso « s’il n’était pas mort il ferait envie »; este foi deformado para « s’il n’était pas mort, is serait en vie », numa canção satírica, e o resto é história.

Messieurs, vous plaît-il d’ouïr
l’air du fameux La Palisse,
Il pourra vous réjouir
pourvu qu’il vous divertisse.
La Palisse eut peu de biens
pour soutenir sa naissance,
Mais il ne manqua de rien
tant qu’il fut dans l’abondance.

Il voyageait volontiers,
courant par tout le royaume,
Quand il était à Poitiers,
il n’était pas à Vendôme!
Il se plaisait en bateau
et, soit en paix soit en guerre,
Il allait toujours par eau
quand il n’allait pas par terre.

Il buvait tous les matins
du vin tiré de la tonne,
Pour manger chez les voisins
il s’y rendait en personne.
Il voulait aux bons repas
des mets exquis et forts tendres
Et faisait son mardi gras
toujours la veille des cendres.

Il brillait comme un soleil,
sa chevelure était blonde,
Il n’eût pas eu son pareil,
s’il eût été seul au monde.
Il eut des talents divers,
même on assure une chose:
Quand il écrivait en vers,
il n’écrivait pas en prose.

Il fut, à la vérité,
un danseur assez vulgaire,
Mais il n’eût pas mal chanté
s’il avait voulu se taire.
On raconte que jamais
il ne pouvait se résoudre
À charger ses pistolets
quand il n’avait pas de poudre.

Monsieur d’la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d’heure avant sa mort,
il était encore en vie.
Il fut par un triste sort
blessé d’une main cruelle,
On croit, puisqu’il en est mort,
que la plaie était mortelle.

Regretté de ses soldats,
il mourut digne d’envie,
Et le jour de son trépas
fut le dernier de sa vie.
Il mourut le vendredi,
le dernier jour de son âge,
S’il fût mort le samedi,
il eût vécu davantage.

— Bernard de la Monnoye, La Chanson de La Palisse

Livre

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