May 2007

Enthusiasm

I was not dispirited now. I was not afraid of the shabby coat, and had no yearnings after gallant greys. My whole manner of thinking of our late misfortune was changed. What I had to do, was, to show my aunt that her past goodness to me had not been thrown away on an insensible, ungrateful object. What I had to do, was, to turn the painful discipline of my younger days to account, by going to work with a resolute and steady heart. What I had to do, was, to take my woodman’s axe in my hand, and clear my own way through the forest of difficulty, by cutting down the trees until I came to Dora. And I went on at a mighty rate, as if it could be done by walking.

— Charles Dickens, in David Copperfield

Livre

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Voltar a si

Mas já o capitão voltara a si e não o ouvia. Neste momento surgiu do meio da multidão Rogójin, pegou pela mão Natássia Filíppovna e levou-a consigo. (…) Ao levar Natássia Filíppovna ainda teve tempo de se rir maldosamente na cara do oficial e de pronunciar com ar de mercador trinunfante de Gostíni Dvor:

– Toma! Vês como levaste? Tens o focinho em sangue! Toma!

Recompondo-se e percebendo perfeitamente com quem estava a lidar, o oficial, educadamente (tapando, aliás, o rosto com o lenço), dirigiu-se ao príncipe que já se levantara da cadeira.

— Fiódor Dostoiévski, in O Idiota

Meta

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Candura

Homer: [answering the door] Who is it?
Voice: Goons.
Homer: Who?
Voice: Hired goons.
Homer: Hired goons? [opens the door]
Goons: [take Homer roughly away]

— in The Simpsons

Humor

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Hidden responsibility

Elaine: So now Joe Mayo wants me to buy him a new coat.
Jerry: Because you threw it out.
Elaine: No, because I was in charge of the coats. It’s… insane.
Jerry: But you did actually throw his coat out the window.
Elaine: But he doesn’t know that. As far as he knows, somebody stole it, and that’s the person who should be responsible.
Jerry: But that’s you.
Elaine: So I guess I’ll have to buy him a new coat, even though I don’t think I should be held responsible, which I am anyway.

— in Seinfeld

I love this scene. It is all in the details. Intelligence, talent, or whatever one may call the source of inspiration, shines through in the whole life of the genius, pervading his work (and thus also bearing its hidden responsibility, funnily enough).

Ética

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Divindade

Como ser Deus à paisana. Tu és Deus, andas pela cidade, ouves as pessoas falarem de ti, e Deus para cá e Deus para lá, e que admirável universo é este, e que elegância a gravitação universal, e tu sorris sob os teus bigodes ( tem de se andar com uma barba postiça, ou melhor não, sem barba, porque pela barba reconhecem logo Deus), e dizes para contigo (o solipsismo de Deus é dramático): “Muito bem, este sou eu e eles não sabem.” E dão-te encontrões na rua, se calhar até te insultam, e tu humilde dizes desculpe, e pronto, afinal és Deus e se quisesses, um gesto com um dedo e o mundo ficaria em cinzas. Mas tu és tão infinitamente poderoso que até te permites ser bom.

— Umberto Eco, in O Pêndulo de Foucault

Até te permites ser bom… Frases soltas, sobre o refugo da sabedoria, como escreveu Eco noutra parte do romance – o que ocultámos num lugar, manifestámo-lo noutro, para que possa ser compreendido pela vossa inteligência. Esta frase é muito interessante; substitui a corrupção do poder absoluto pela graça do poder absoluto. Bem fazia Hans Castorp em levantar os braços, como quem diz que há muita coisa escrita, tornando-se difícil discernir o bom e o mau. Saint-Exupéry ia mais longe e misturava o bem e o mal, não num guazzabuglio como o de Naphta, em que eles se confundiam, mas numa complementaridade em que são essenciais um ao outro; além de que, como é sabido, se podem usar as mesmas pedras para construir um templo completamente diferente. No fundo, é a ideia insatisfatória de Larry, n’O Fio da Navalha, e a proposição perigosa do professor de Adrian, no Doutor Fausto.

E que conclusões tiro eu de tudo isto? Ça va sans dire. Direi apenas que a ilusão da corrupção do poder vem apenas do facto de ele ser confundido com coisas que nada têm a ver com o verdadeiro poder. E não é o poder que permite a bondade, mas sim a bondade que proporciona poder. O verdadeiro.

Emoções

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Bastidores

I would much rather have men ask why I have no statue, than why I have one.

— Cato, the Elder

Jean Monnet disse o mesmo na sua biografia. Vi uma fotografia numa exposição do World Press Photo que exprimia muito bem esta ideia; dentro de um pavilhão, o candidato discursava num ambiente luminoso e festivo, mas o espaço por trás do palco estava escuro e vazio. O contraste era impressionante.

Política

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Nox

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Noite, vão para ti meus pensamentos,
quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos…

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia…
O eterno mal , que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece, alguns momentos…

Oh! antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o mundo, te esquecesses,

E ele, o mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!

— Antero de Quental

Arte

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Inconcebível

Nem vi o filme, mas gosto muito de uma citação que li do Princess Bride. Vizzini usa várias vezes a palavra ‘inconceivable’:

Vizzini: He didn’t fall? Inconceivable.
Inigo Montoya: You keep using that word. I do not think it means what you think it means.

Thomas Mann escreveu sobre o significado que certas palavras podem adquirir, com a experiência; desse ponto de vista, a Semântica é uma entidade evolutiva, mais improvisada do que planificada. O dicionário mantém um registo, as regras do jogo, mas é impotente face a isto:

[O] seu melhor filho talvez fosse aquele que consumia a sua vida a dominar-se a si mesmo e que morrera esboçando com os lábios a nova palavra do amor, que ainda não sabia pronunciar.

— Thomas Mann, in Montanha Mágica

Razão

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Chave de ouro

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Livre

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Limites da criação

calvin_hobbes_watterson.jpg

O bloqueio do escritor. Quem produz em massa acaba por publicar o melhor e o pior, conscientemente. O mesmo acontece com Victor Hugo, Camilo Castelo Branco ou Conan O’Brien, e, porque não?, com o autor de um blog. Lembro-me sempre de Exupéry: se quiseres o bom, tens de aceitar o mau.

Meta

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