August 2009

Decline and Fall

‘So far as possible, I like the prisoners to carry on with their avocations in civilized life. What’s this man’s profession, officer?’
‘White Slave traffic, sir.’
‘Ah, yes. Well, I’m afraid you won’t have much opportunity for that here.

— Evelyn Waugh, in Decline and Fall

Decline and Fall is a funny book; it won’t make you laugh out loud – not too often anyway, – but it manages to make you smile throughout. The atmosphere reminds me of Woody Allen in Bullets over Broadway, with the fallen aristocratic charm, and Waugh’s style is exquisite.

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Filologia quantitativa

Há tempos assisti à apresentação, por Marcelo Rebelo de Sousa, do livro A Pátria dos Loucos, de Bernardo Rodo. Entre outras coisas, mencionou o facto de se tratar de uma visão de direita, pouco comum na cultura portuguesa actual. Esta ideia fez-me pensar no que pode significar a facilidade de acesso a meios de publicação; quando Kundera escreveu “Somos todos escritores!”, não podia imaginar a rapidez e a escala que o fenómeno podia atingir, com a Internet. Diz o ditado que “dos fracos não reza a História”, mas hoje qualquer pessoa pode escrevê-la. Tal como no movimento realista da pintura, vamos começar a produzir mais cenas do quotidiano das pessoas comuns, e não há nenhuma visão iluminada de um escritor genial que possa substituir essa riqueza.

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Homem primitivo contemporâneo

Ler sobre os episódios mais bárbaros da História faz-me pensar em quais serão os fenómenos que são hoje aceites, ou até desejáveis, e que as gerações futuras vão olhar com repugnância. A forma como tratamos os animais é uma possibilidade, e Milan Kundera faz uma boa defesa desse ponto de vista, na Insustentável Leveza do Ser:

A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma. O verdadeiro teste moral da humanidade (…) são as suas relações com quem se encontra à sua mercê: isto é, com os animais. E foi ai que se deu o maior fracasso do homem, o desaire fundamental que está na origem de todos os outros.

Umberto Eco tem um texto nos Segundos Diários Mínimos em que afirma o respeito que devemos aos animais, mas lembra que “continuamos tranquilamente a comê-los”; é um ponto importante, porque muitas actividades humanas que envolvem animais têm um valor económico que as torna semelhantes à pecuária, ou ao abate para subsistência.

Por outro lado, a empatia que temos com os animais releva de um antropocentrismo que me parece moralmente frágil. Quando aprendi o conceito de espécie, baseado no sucesso reprodutor, o meu professor fez uma pausa, com um ar divertido, e disse que essa definição só tinha um problema: excluía a grande maioria dos organismos do planeta. Da mesma forma, sentimos a dor dos animais porque é semelhante à nossa, mas não é óbvio para mim que seja qualitativamente diferente do que sente uma planta, um fungo ou uma bactéria.

Racionalizar as questões éticas torna a vida mais fácil, mas é possível que os nossos descendentes se indignem com estas racionalizações, do mesmo modo que nos indignamos com as dos nossos antepassados. O que nos resta é seguir com a vida, mas sempre respeitando tudo o que nos rodeia; em mais uma iteração do que chamei affinity maturation, lembro o que Thomas Mann escreveu:

Sonhei com o estado do homem e com a sua comunidade polida, inteligente e respeitosa, atrás da qual se desenrola no templo a medonha ceia sangrenta.

– Thomas Mann, in Montanha Mágica

E mais do que isso:

O homem é o dono das contradições que existem por seu intermédio, e por conseguinte, mais nobre do que elas. Mais nobre do que a morte, demasiado nobre para ela, e isto constitui a liberdade do seu cérebro. Mais nobre do que a vida, demasiado nobre para ela, e isto constitui a piedade do seu coração.

– Thomas Mann, in Montanha Mágica

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Razão

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An exercise in the use of language

I regard writing not as investigation of character but as an exercise in the use of language, and with this I am obsessed. I have no technical psychological interest. It is drama, speech and events that interest me.

— Evelyn Waugh

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Política

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Cada homem é um farol

Ils ne savent pas ce qu’ils espèrent ces paysans accoudés à la table devant leur lampe : ils ne savent pas que leur désir porte si loin, dans la grande nuit qui les enferme. Mais Fabien le découvre quand il vient de mille kilomètres et sent des lames de fond profondes soulever et descendre l’avion qui respire, quand il a traversé dix orages, comme des pays de guerre, et, entre eux, des clairières de lune, et quand il gagne ces lumières, l’une après l’autre, avec le sentiment de vaincre. Ces hommes croient que leur lampe luit pour l’humble table, mais à quatre-vingts kilomètres d’eux, on est déjà touché par l’appel de cette lumière, comme s’ils la balançaient désespérés, d’une île déserte, devant la mer.

— Antoine de Saint-Exupéry, in Vol de Nuit

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Um momento de razão

Acredito que é possível viver politicamente sem tomar partido, mas basta um momento de emoção – de angústia, de raiva, de impotência – para um observador neutro se tornar engagé. Como Belbo, “não por convicção, mas faute de mieux“. Este “melhor” é o ponto de equilíbrio, procurado deliberadamente e não como resultado fortuito do conflito entre facções extremistas.

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A moment of emotion

Graham Greene’s depiction of the Quiet American seemed interesting enough – even in light of the subsequent history of US intervention in Vietnam and the world – but somewhat dry and distant, as seen through the eyes of the reporter. Then came the last part, barely twenty pages, the moment of emotion; that was how much it took to turn a vulgar story into a work of art.

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